STF CHEGA A PONTO CRUCIAL DO JULGAMENTO DO MENSALÃO
Flávio Tabak, O Globo
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta segunda-feira o julgamento do mensalão já se preparando para um embate que envolve uma das questões centrais da acusação do Ministério Público: atestar se o esquema operado por Marcos Valério desviou recursos públicos para corromper parlamentares.
O tema vai à votação logo após o plenário decidir se confirma a condenação do deputado João Paulo Cunha (PT), ex-presidente da Câmara, por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, como defendeu o relator, ministro Joaquim Barbosa.
Juristas que não estão envolvidos no julgamento do mensalão e ministros aposentados de tribunais superiores são céticos quanto à possibilidade de punição severa para réus figurões, como o petista José Dirceu. A aposta é que, no máximo, réus como o ex-ministro da Casa Civil terão seus direitos políticos suspensos temporariamente, como punição máxima. Se houver cadeia, será para os “operadores”.
Dupla condenação...É grave a situação de Marcos Valério e Delúbio Soares. Aposta-se na condenação dos dois, e ao menos Valério deverá cumprir pena.
Deputados no sal...Os deputados envolvidos têm motivos de preocupação, especialmente João Paulo Cunha (SP) e Paulo Rocha (PA), ambos do PT.
Pego pela boca...É difícil a situação de Duda Mendonça: condenado por envolvimento com brigas de galo, ele já não é réu primário e seria réu confesso.
Único medo...Em conversas reservadas, José Dirceu afirma inocência, mas confessa o temor de que o STF acolha a acusação de formação de quadrilha.
Documentos oficiais obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo com base na Lei de Acesso à Informação mostram a atuação do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, durante o governo Lula. De acordo com a publicação, as correspondências confidenciais, bilhetes manuscritos e ofícios apontam troca de favores entre governo e legendas da base, intervenções para que empresários fossem recebidos em audiências e controle sobre investigações que envolviam nomes importantes da máquina pública. Mais de cem ofícios, por exemplo, revelam a ocupação dos cargos públicos pelos aliados. Sob a “incumbência” de Dirceu, seu chefe de gabinete e braço direito, Marcelo Sereno, despachava indicações de bancadas, nomeações e currículos para os mais variados cargos federais. Os documentos mostram ainda que a Secretaria de Controle Interno, ligada à Casa Civil, mantinha uma rede de informações que ultrapassava os órgãos federais de investigação.
OS PLANOS DE DIRCEU
Ilimar Franco, O Globo
Petistas estão chocados com a atitude do ex-tudo José Dirceu. Às vésperas de ser julgado, amigos falam de seus planos grandiloquentes, entre eles o de presidir o PT. Os mais fiéis querem que ele transfira seu título para Brasília e, depois de anistiado, concorra ao governo ou ao Senado. Sustentam que, se José Roberto Arruda conseguiu, Dirceu pode dar a volta por cima.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, repudia taxativamente a tese de que o mensalão não passou de caixa 2 de campanha eleitoral. Em memorial complementar que entregou aos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o chefe do Ministério Público Federal ataca as defesas dos réus do mensalão que, desde o início do julgamento, tentam desconstruir a acusação contra o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), o ex-presidente do PT, José Genoino, o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, e outros 35 denunciados. (O Globo)






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